Convidamos a Psicóloga, Psicanalista, especialista e mestre em psicologia, e mãe da nossa aluna Duda – do Pré 1 – Erika Juchem Goelzer, para dar dicas sobre psicologia e desenvolvimento infantil.

Crianças são seres agitados por natureza.

Quando pensamos em crianças saudáveis logo vem à mente brincadeiras e diversão. Quando a alegria e a energia desaparecem é porque certamente algo não vai bem. A apatia e desmotivação podem ser ocasionadas por crises situacionais ou adoecimentos graves e é uma forma das crianças de qualquer idade sinalizarem que precisam de ajuda. Descartadas as formas de apatia por adoecimento físico, falaremos aqui da desmotivação situacional, ou seja, aquela causada por todos os fatores que não sejam orgânicos.

O que sabemos é que 2020 não vai bem. A dificuldade não está exclusivamente vinculada às crianças, mas certamente está “respingando” nelas de forma muito importante. As rotinas estão prejudicadas de formas que, no início do ano, não imaginávamos. Quem adivinharia que passaríamos seis meses mantendo nossos filhos longe das escolas? 

No processo de aprendizagem acredita-se que a motivação deve estar presente em todos os momentos.

Cabe aos pais e professores a facilitação do processo de construção do conhecimento através de atividades criativas e envolventes, influenciando os alunos na motivação da aprendizagem. A convivência com crianças da mesma idade e que enfrentam as mesmas dificuldades também tem uma influência importante em todo esse processo.

Mas o que fazer quando nossas crianças estão a mais de 180 dias longe das escolas?

O que fazer quando o acesso aos professores e aos amigos se dá de forma virtual? Você deve lembrar que até bem pouco tempo atrás todos os profissionais que trabalhavam com o público infantil possuíam um discurso contundente a respeito do uso e do tempo de tela na infância. O novo Coronavírus subverteu essa ordem e as telas se tornaram os grandes aliados na conexão humana. 

Tudo que sabíamos até o início de 2020 sobre educação infantil e ensino fundamental está colocado em xeque. Não há mais certezas, apenas uma tentativa de se fazer o melhor por cada criança, por cada turma, por cada conteúdo e por cada aprendizagem. 

Vejo a professora da minha filha, semana após semana, se desdobrando para dar conta de um fazer que lhe era tão natural. Cuidar de 22 crianças pessoalmente e motivá-las para a aprendizagem é infinitamente mais fácil que dar conta das mesmas crianças de forma virtual. E mesmo assim a professora não desiste. Cada novo encontro vamos descobrindo novas formas de funcionar: as estratégias vão mudando e se adaptando conforme dão certo ou não.

Mas não se engane, a desmotivação pela aprendizagem não é culpa exclusiva da Covid-19. Pesquisas vêm demonstrando que as crianças estão chegando às escolas cada mais desmotivadas com os estudos. 

Mas o que é motivação afinal?

Motivação é um impulso que faz com que as pessoas ajam para atingir seus objetivos. A motivação envolve fenômenos emocionais, biológicos e sociais e é o processo responsável por iniciar, direcionar e manter comportamentos de objetivos. Motivação é o que faz com que os indivíduos dêem o melhor de si, façam o possível para alcançar o que almejam.

Dito isso fica a pergunta: Não seria uma responsabilidade dos adultos ensinarem às crianças a serem motivadas? É justo supor que uma criança, de qualquer idade, se motive sozinha para conquistar os desafios do desenvolvimento? Ensinamos nossos filhos a andar, a comer, a usar o banheiro. Não é lógico que nossas crianças também precisam ser ensinadas a lidar com o tédio, com a preguiça, com os erros ou a enfrentar problemas?

Nem sempre a recusa da criança às atividades escolares está ligada a falta de motivação ou a falta de um desejo de aprender. Muitas vezes o que acontece é outra coisa: uma dificuldade com algum conteúdo, um conflito com a professora ou colegas e até mesmo 6 meses distante de tudo e todos que faziam parte do mundo escolar.

Nesse contexto tão delicado, o que podemos fazer para auxiliar nossas crianças a participarem das aulas e não perderem o interesse pela aprendizagem?

1. Ofereça sua motivação pessoal: Mesmo que o horário de aula da criança seja complicado para a sua vida profissional, não deixe que a criança se sinta um problema por estar tomando seu tempo. Ofereça alegria e motivação na hora de acompanhá-la.

2. Ofereça objetivos de curto (crianças menores) e longo prazo (crianças maiores): Não espere que uma criança pequena consiga ficar por horas focada nas suas atividades. Defina prioridades e faça uma tarefa de cada vez. A tarefa tem que estar a altura da capacidade da criança ou esta deve ser ensinada para conseguir cumpri-la. As crianças maiores podem ser mais desafiadas, mas não deixe de separar tempo para que a criança realize as atividades que mais gosta.

3. Utilize palavras positivas e de encorajamento: Não há nenhum problema em admitir para sua criança que você entende que as coisas estão mais difíceis que o normal. Dê exemplos de como o seu cotidiano também mudou e a convoque para “fazer do limão uma limonada”. Diga que você não duvida da capacidade dela de conquistar e lidar com as adversidades.

4. Comemore as pequenas vitórias: Elogie, elogie e elogie! Diga o quanto se sente orgulhoso daquela vitória pequena ou grande. Comemore! Comemore cada aula desenvolvida, cada aprendizagem conquistada. Faça com que a criança se sinta orgulhosa de suas “batalhas”. Nunca use frases do tipo: “sua única responsabilidade é estudar e nem isso você consegue” … Substitua por comentários como: “eu sei que a aula não foi boa hoje ou que você está com dificuldades nisso, mas amanhã será melhor!”

5. Seja específico nas críticas: Quando achar que sua criança precisa de um “puxão de orelhas” seja específico no que você quer criticar. Frases como “você nunca ajuda!”, “você nunca estuda!” só servem para diminuir a autoestima e não auxiliam em nada. Seja claro: “Hoje, você não se comportou na aula!”.  Assim você abrirá uma brecha simbólica para que o amanhã seja diferente.

É importante lembrar que a chave para qualquer conquista, infantil ou adulta, é a persistência. Não espere resultados imediatos, mas não desista de tentar!!!

Author

Erika Goelzer

Psicóloga, psicanalista, professora especialista, mestre em psicologia e mãe da aluna Duda, do Pré 1.

1 Comment:

  • Malena Karina de Vargas Araujo / Responder

    Cada dica soma na qualidade da relação das crianças com a família e com a escola e a resposta que a criança nós dá se torna mas positiva.
    Muito obrigada.

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