Convidamos a Psicóloga, Psicanalista, especialista e mestre em psicologia, e mãe da nossa aluna Duda – do Pré 1 – Erika Juchem Goelzer, para dar dicas sobre psicologia e desenvolvimento infantil.

O ano letivo está chegando ao final.

Um ano desconhecido, atípico, que desafiou nossa paciência e resiliência. Nossas crianças tampouco foram poupadas e precisaram, assim como nós, se adaptar e reinventar uma forma de estudar, de brincar e de existir em um mundo que se tornou ainda mais hostil e perigoso.

Se já tínhamos uma série de temores em relação à vida, 2020 nos trouxe um inimigo invisível, potente, de comportamento inesperado e com potencial letal. Diferentemente de anos atrás durante o surto de H1N1, para o Covid-19 as crianças não compõem um grupo de risco. Entretanto, este fato não facilitou a vida delas em nada, já que as escolas fecharam no início de março e o isolamento social as afastou de familiares e amigos. Felizes foram as crianças que puderam manter algum tipo de contato seguro com outros pequenos, eles se tornaram exceções. Se a infância já exige um cuidado maior por parte dos pais, ter a possibilidade de transmitir o novo Coronavírus para a família impactou a vida dos baixinhos com intensidade.

O aprendizado formal é muitíssimo importante, mas não é exclusivamente para isso que enviamos nossas crianças para a escola.

Este meio de educação social tem a função de contextualizar, marcar o tempo, proporcionar formas para que a criança enfrente seus medos. É através do projeto pedagógico escolar que possibilita o maior acesso à cultura e datas comemorativas.

É no ambiente educacional que nossos filhos podem aprender a cantar o hino nacional, e assim, despertar sua curiosidade para o teor da letra, por exemplo. Pintar a bandeira torna-se uma maneira de demonstrar amor e respeito à pátria, vindo dos brasileiros de diversos lugares. Poderíamos citar inúmeros exemplos, porém a maioria, pode ter tido a chance de vivenciar momentos assim com suas crianças.

O final do ano letivo sempre é repleto de comemorações, com apresentações de turmas, de oficinas etc. Há algum tempo, viemos nos questionando sobre como seria este ano. Poderíamos comemorar que 2020 finalmente está chegando ao final? Sim, com muito esforço e carinho, nossas crianças conseguiram estudar.

Apreciamos a ideia da live com a participação dos pequenos em jogos e brincadeiras. Será importantíssimo para nossas crianças, não apenas participar, mas assistir à confraternização escolar. Por quê? Porque precisamos ensiná-las que nem tudo na vida ocorre exatamente como o esperado, que muitas vezes nossa trajetória parece estar de cabeça para baixo. Contudo, não adianta apenas ficar reclamando. Necessitamos passar o ensinamento a eles: de que devem dançar na chuva sem ter medo de se molhar e precisam aproveitar as chances de serem felizes.

É uma obrigação adulta não apenas apresentar o mundo às crianças, mas ajudá-las a entender como enfrentá-lo.

Não basta aceitar e tolerar, é preciso agir, criar e mudar o que for possível.

Desde sempre, o ser humano tem medo do diferente, apresentando certa resistência. Na história da humanidade, pessoas foram (e ainda são) desvalorizadas por sua cor, religião, profissão, gênero e amor. O diferente não precisa ser assustador, pode ser divertido e normal.

Por aqui estamos nos preparando para mais uma adaptação, para mais um “diferente”, pois teremos a formatura em formato drive thru. O argumento aqui é que faremos parte da história, sendo a primeira turma de Pré a ter formatura de carro (e com buzinaço)!

Author

Erika Goelzer

Psicóloga, psicanalista, professora especialista, mestre em psicologia e mãe da aluna Duda, do Pré 1.

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